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Festival Brasil promove turismo, arte e cultura do país em Pequim ao longo de cinco dias de programação

Foto do escritor: Redação
Redação
14 de set.
5 min de leitura

Atualizado: 15 de set.

Com informações da Agência Brasil


O Festival Brasil – Turismo, Arte e Cultura foi realizado entre os dias 2 e 6 de setembro no 798 Art District de Pequim, com exposições sobre os seis biomas brasileiros, instalações de realidade virtual, mostras de artesanato e xilogravura e uma programação paralela de negócios voltada a operadoras de turismo chinesas, numa iniciativa da Embratur, do Ministério da Cultura e da Itaipu Binacional que integrou as atividades oficiais do Ano Cultural Brasil-China 2026. A ação é considerada a maior já montada pelo Brasil na capital chinesa para promoção conjunta de turismo e cultura, e reuniu durante os cinco dias de programação um público formado por visitantes locais, profissionais do setor turístico, acadêmicos e representantes institucionais dos dois países.


A exposição central do festival foi dedicada aos seis biomas brasileiros — Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal — e reuniu 42 fotografias, trabalhos de 60 artesãos de diferentes regiões do Brasil e 40 xilogravuras, técnica visual tradicionalmente associada à literatura de cordel do Nordeste brasileiro. Instalada ao lado dessa mostra, a exposição "Brasil: Rios Voadores", resultado de uma parceria entre a Embratur e a Itaipu Parquetec, explicou ao público chinês o fenômeno atmosférico pelo qual a floresta amazônica transporta para o sul do continente massas de vapor d'água com volume comparável à vazão do próprio rio Amazonas, tema que despertou interesse particular num país onde os debates sobre recursos hídricos, mudanças climáticas e uso do território ocupam posição central na agenda pública.


A realidade virtual como ferramenta de promoção turística


As instalações de realidade virtual permitiram aos visitantes conhecer seis destinos turísticos brasileiros — Rio de Janeiro, Lençóis Maranhenses, Pantanal, Fernando de Noronha, Amazônia e Foz do Iguaçu — e integraram uma estratégia de comunicação da Embratur voltada a superar a percepção, ainda comum entre os viajantes chineses, de que o Brasil é um destino distante, caro e difícil de imaginar na prática, já que a experiência imersiva oferece em poucos minutos uma apresentação concreta de paisagens que o material promocional tradicional descreve apenas em palavras.


Essa estratégia se apoia em dados concretos do fluxo turístico entre os dois países. Entre janeiro e julho deste ano, o Brasil recebeu 90.111 visitantes chineses, contra 54.781 registrados no mesmo período do ano anterior, o que representa um crescimento de 64,5%, e os números da plataforma chinesa de viagens Qunar indicavam que, até 26 de agosto, o Rio de Janeiro liderava entre todos os destinos internacionais o crescimento de reservas de passagens aéreas por parte de consumidores chineses. O objetivo declarado do festival foi converter esse interesse crescente em viagens efetivamente realizadas.


"Estamos trabalhando em diferentes frentes, combinando promoção, inteligência de mercado, relacionamento com o trade e capacitação de operadores para transformar esse interesse em viagens", afirmou Bruno Reis, presidente da Embratur, que definiu a China como mercado estratégico para o turismo brasileiro e apresentou como prioridade da agência a transformação do interesse do público chinês em contratos comerciais, pacotes turísticos vendidos e geração de emprego no Brasil.


Foto: Reprodução


Workshop reúne operadoras chinesas e programa de capacitação supera 900 certificados


Paralelamente à programação aberta ao público, o festival incluiu uma agenda de negócios conduzida pela Embratur, que reuniu em Pequim, no dia 2 de setembro, tomadores de decisão das principais operadoras turísticas chinesas num workshop técnico destinado a apresentar destinos, produtos e ferramentas de comercialização do Brasil, com destaque para Foz do Iguaçu — cidade que abriga a usina de Itaipu — empreendimento binacional reconhecido como símbolo de cooperação internacional.


A plataforma Brasil Travel Specialist, curso de capacitação oferecido em mandarim para formar agentes de viagem chineses na venda do destino brasileiro, é o principal instrumento dessa estratégia comercial e já registra 1.501 profissionais de turismo inscritos na China, dos quais 910 obtiveram a certificação de "Especialista em Brasil". Segundo Alisson Andrade — coordenador de Mercados Internacionais da Embratur — a ampliação do número de agentes certificados aumenta a segurança dos profissionais chineses ao recomendar um destino que grande parte deles ainda conhece pouco, com efeito direto sobre o volume de vendas.


Enio Verri, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, destacou que a participação da empresa na programação de Pequim teve como objetivo demonstrar de que forma as ações socioambientais desenvolvidas pela usina contribuem para a conservação ambiental e o desenvolvimento regional no Brasil, compondo uma apresentação integrada do país que reúne dimensões cultural, ambiental e turística numa mesma narrativa institucional.


A presença brasileira na China inclui ainda um trabalho continuado de comunicação digital nas plataformas onde o consumidor chinês toma suas decisões de viagem — WeChat, Weibo e Xiaohongshu, conhecido como RED — com conteúdo produzido em mandarim sob a marca Visit Brasil, além de famtours que levaram jornalistas e criadores de conteúdo chineses a São Paulo, Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro em 2025 e da participação do Brasil na ITB China, realizada em Xangai. O festival no 798 Art District funcionou, dentro desse conjunto, como a ação de maior visibilidade de uma campanha que se desenvolve ao longo de todo o ano.


Seminário acadêmico sobre biodiversidade antecedeu a abertura do festival


Em 1º de setembro, Pequim sediou o Seminário Internacional "Territórios Vivos: Cultura, Tecnologias Sociais e Inovação para a Defesa da Biodiversidade no Brasil e na China", encontro que reuniu representantes institucionais, pesquisadores e especialistas dos dois países e integrou a programação preparatória do evento.


Pela parte brasileira, participaram o ministro conselheiro Daniel Barra, da Embaixada do Brasil em Pequim, a subsecretária de Espaços e Equipamentos Culturais do Ministério da Cultura, Cecília Gomes de Sá, além de representantes da Embratur e da Itaipu Binacional, enquanto a delegação chinesa contou com Dihua Li, vice-decano da Faculdade de Arquitetura e Arquitetura Paisagística da Universidade de Pequim, e Lü Zhi, bióloga de conservação reconhecida nacionalmente e vinculada à mesma universidade, com participação adicional de pesquisadores da Academia Central de Belas Artes, da Universidade de Tongji e da Universidade de Brasília.


Os três painéis do seminário — paisagens adaptativas, saberes comunitários e poéticas da natureza — articularam debates sobre arquitetura ecológica, mudanças climáticas e conhecimentos tradicionais, com participação de profissionais como o mestre bambuzeiro brasileiro Lúcio Ventania, que integrou mesa conjunta com a professora chinesa de biologia de conservação. A realização do seminário reflete a lógica que orienta o Ano Cultural Brasil-China 2026, no qual a cultura funciona como porta de entrada para a construção de cooperação técnica, acadêmica e econômica de longo prazo entre os dois países.


Ministra da Cultura destaca impacto econômico do Ano Cultural


A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, afirmou que o Ano Cultural Brasil-China amplia as oportunidades para a economia criativa e para o turismo brasileiros, defendendo que a aproximação entre os dois países pode se traduzir em circulação de artistas e produtos culturais, novos roteiros turísticos, parcerias institucionais e negócios. Segundo a ministra, o investimento em cultura constitui também investimento em desenvolvimento econômico, posição que orienta a estratégia de presença brasileira no mercado chinês.

Foto: Reprodução


O festival se insere num contexto de intensa movimentação das relações bilaterais em comércio, energia e cooperação climática, no qual o Ano Cultural acrescenta à relação entre Brasil e China uma dimensão de intercâmbio humano que as estatísticas comerciais não registram, já que o turista chinês que visita o Brasil movimenta a economia local e difunde o destino ao retornar, o agente de viagens certificado em mandarim continua recomendando o país durante anos e o pesquisador chinês que debate biomas com colegas brasileiros estabelece bases para futuras parcerias científicas.


Encerrado no sábado, 6 de setembro, o festival deixa como legado operacional a rede de mais de 900 especialistas em Brasil certificados na China, a presença digital continuada em mandarim nas principais plataformas locais e os canais comerciais abertos com as operadoras turísticas chinesas, estruturas que permanecem ativas após o fim do evento. Os números do fluxo turístico dos primeiros sete meses do ano indicam que a estratégia de promoção continuada vem produzindo resultados mensuráveis, e o trabalho iniciado em Pequim deve se desdobrar em ações voltadas aos mercados de Xangai, Guangzhou e Chengdu nos próximos anos, como parte de um plano de longo prazo para apresentar o Brasil ao público asiático com base em sua biodiversidade, sua produção artesanal, sua sustentabilidade e sua capacidade de formação profissional.

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