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Celso Amorim leva carta de Lula a Xi Jinping e discute IA e terras raras com chanceler chinês em Pequim

Foto do escritor: Redação
Redação
16 de set.
2 min de leitura

Atualizado: 19 de set.

Assessor Especial da Presidência da República, Celso Amorim, se reúne com o chanceler chinês, Wang Yi, em Pequim, nesta quarta-feira (16). Foto: Divulgação
Assessor Especial da Presidência da República, Celso Amorim, se reúne com o chanceler chinês, Wang Yi, em Pequim, nesta quarta-feira (16). Foto: Divulgação

O Assessor Especial da Presidência da República, Celso Amorim, reuniu-se nesta quarta-feira (16) em Pequim com o Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. No encontro, ele entregou ao chanceler chinês uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destinada ao presidente da China, Xi Jinping.


Segundo o Itamaraty, o documento reforça a importância estratégica da relação bilateral e a convergência entre os dois países, citando setores como inteligência artificial, minerais críticos e terras raras. A carta também trata da possibilidade de ampliar a cooperação entre os projetos de desenvolvimento dos dois governos.


Wang Yi classificou o avanço das relações Brasil-China sob a condução de Lula e Xi como um modelo de solidariedade entre países do Sul Global. O chanceler chinês elogiou ainda a adesão do Brasil à Organização Mundial de Cooperação em IA e defendeu que os dois países liderem um desenvolvimento tecnológico inclusivo, capaz de beneficiar a humanidade.


Entre os temas técnicos discutidos, Amorim e Wang Yi trataram do desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial de código aberto, com critérios éticos e de inclusão como prioridade. A cooperação em minerais críticos e terras raras também entrou na pauta, com foco em ampliar a capacidade produtiva e tecnológica do Brasil para agregar valor a essas cadeias, hoje concentradas majoritariamente no processamento chinês.


A China responde por mais de 90% do processamento mundial de terras raras, e o Brasil ainda não tem acordos formais para desenvolver essa cadeia produtiva em parceria com o país asiático. Antes de chegar a Pequim, Amorim passou por Paris e Nova Délhi entre 11 e 15 de setembro, cidades também vistas pelo Planalto como parceiras em potencial para o avanço brasileiro no setor de minerais estratégicos.


No campo diplomático, os dois defenderam o multilateralismo, o diálogo e a solução pacífica de conflitos, além de se posicionarem contra interferências em assuntos internos de outros países. O tema já havia aparecido em julho, quando Xi Jinping, em telefonema com Lula, rejeitou qualquer interferência externa no processo eleitoral brasileiro e afirmou apoiar o governo brasileiro.


A conversa também passou pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e pelo papel do BRICS como espaço de articulação entre seus integrantes. Amorim e Wang Yi discutiram ainda a declaração aprovada na Cúpula do BRICS em Nova Délhi, realizada poucos dias antes do encontro em Pequim, e a atual presidência chinesa do bloco.


Brasil e China reafirmaram a continuidade da chamada Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo Mais Justo e um Planeta Sustentável, denominação adotada pelos dois governos para estruturar parte da parceria estratégica bilateral. O encontro em Pequim reforça duas frentes que ganharam peso na relação entre os dois países: a cooperação tecnológica em inteligência artificial e a participação brasileira em cadeias de maior valor agregado ligadas a minerais críticos e terras raras.


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