Com 270 milhões de graduados, China anuncia 76 mil novas vagas em universidades de elite e renova grade acadêmica até 2030
Ministério da Educação anuncia 76 mil novas vagas de graduação em instituições de elite entre 2027 e 2030, ajuste de programas voltado a áreas estratégicas e taxa bruta de matrícula recorde de 61,3%

A China alcançou a marca de 270 milhões de pessoas com formação em ensino superior, o equivalente a quase um em cada cinco habitantes do país, segundo anunciou o Ministério da Educação em coletiva de imprensa, ao apresentar um conjunto de medidas para ampliar a oferta de vagas e reorganizar os programas universitários em resposta às mudanças demográficas e à demanda crescente por profissionais de alta qualificação, um movimento que consolida o ensino superior como eixo central da estratégia chinesa de desenvolvimento.
A taxa bruta de matrícula no ensino superior atingiu 61,3% em 2025, com um total de 48,73 milhões de estudantes matriculados, informou Guo Peng, chefe do departamento de planejamento de desenvolvimento do Ministério da Educação, ao detalhar um contingente de diplomados que, em termos de escala, supera a população inteira de países como o Brasil, estimada em cerca de 214 milhões de pessoas, evidenciando a magnitude do investimento estatal na formação de capital humano ao longo das últimas décadas.
A reorganização do sistema ocorre num momento em que a população em idade típica de ingresso no ensino superior deve atingir seu ponto máximo em 2032, projeção que, segundo o ministério, exige ampliar a oferta total de recursos educacionais e elevar a disponibilidade de vagas de alta qualidade, combinando crescimento quantitativo com um ajuste fino da estrutura acadêmica para evitar descompasso entre formação e demanda.
Como parte dessa resposta estrutural, as universidades participantes da iniciativa Dupla Primeira Classe, o programa com o qual Pequim apoia um grupo seleto de instituições e disciplinas com o objetivo de levá-las ao padrão de classe mundial, ampliarão em 76 mil as vagas de graduação entre 2027 e 2030, conforme detalhou Guo, que apresentou a medida como uma expansão planejada e vinculada às necessidades reais da economia.
O dirigente explicou que o crescimento do número de vagas virá acompanhado de ajustes nos programas acadêmicos e de melhorias na estrutura e na qualidade do ensino, de modo a alinhar a formação universitária às prioridades do desenvolvimento socioeconômico nacional e regional e à demanda concreta da indústria, numa reorientação que o ministério descreve como resposta direta à transformação do modelo produtivo chinês.
As diretrizes do setor para o 15º Plano Quinquenal, que cobre o período de 2026 a 2030, preveem a ampliação das matrículas de graduação e da formação de pós-graduação de qualidade, com foco prioritário em ciências, engenharia, agricultura e medicina, somada ao aumento gradual da proporção de estudantes em programas de mestrado e doutorado, etapa que o governo considera estratégica para sustentar a produção científica e a inovação tecnológica do país.
Guo afirmou que o governo dará apoio reforçado a campos emergentes como inteligência artificial, circuitos integrados, biomedicina e novas energias, áreas tratadas como pilares da nova qualidade produtiva chinesa e que vêm concentrando novos cursos, laboratórios e investimentos em pesquisa, num direcionamento que orienta tanto a criação de vagas quanto a revisão dos currículos existentes.
Para sustentar esse redesenho, recursos do governo central e títulos especiais do Tesouro de prazo ultralongo serão destinados às universidades da Dupla Primeira Classe para a construção de novos campi e a modernização de instalações básicas, incluindo dormitórios, refeitórios, equipamentos esportivos e laboratórios, um pacote de infraestrutura planejado para acompanhar o crescimento das matrículas sem perda de qualidade.
A distribuição dessas novas vagas e cursos também obedece a uma lógica de desenvolvimento regional, com o ministério determinando que as províncias do centro e do oeste do país recebam investimentos proporcionalmente maiores para reduzir a disparidade histórica na oferta de ensino superior, garantindo que a modernização industrial dessas áreas seja acompanhada pela formação local de engenheiros e pesquisadores, o que evita a migração constante de talentos para o litoral e fortalece as cadeias produtivas do interior.
Esse esforço de expansão se apoia em resultados acumulados no ciclo anterior, já que durante o 14º Plano Quinquenal, encerrado em 2025, o ensino superior chinês formou mais de 55 milhões de graduados, um fluxo que apenas no ano passado alcançou 12,22 milhões de diplomados e que completou o quarto ano consecutivo acima da marca dos dez milhões, alimentando de forma contínua os setores intensivos em conhecimento.
A reconfiguração também aparece na própria arquitetura dos cursos oferecidos, uma vez que, entre 2021 e 2025, as instituições de ensino superior encerraram ou suspenderam cerca de 12,2 mil programas de graduação considerados defasados e criaram aproximadamente 10,2 mil novos cursos, muitos deles ligados à inteligência artificial e às tecnologias emergentes, num redesenho que reflete a velocidade com que o mercado de trabalho chinês tem se transformado.
Ao apresentar os números, o Ministério da Educação ressaltou que a influência internacional do sistema educacional chinês segue em crescimento, com mais cooperação acadêmica, maior intercâmbio de estudantes e presença ampliada das universidades do país em redes globais de pesquisa, um processo que, na avaliação do governo, transforma a educação superior em um dos principais ativos estratégicos da China para as próximas décadas.


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